Frequentemente leio nas redes sociais comentários e textos abordando as diferenças entre morar no Brasil e no exterior. Infelizmente, tenho percebido que é comum encontrar várias pessoas que detonam o nosso país e idolatram outros.

Não é incomum chegar no aeroporto e ouvir a famosa frase “tinha que ser no Brasil” caso aconteça um atraso, por exemplo. Não é incomum escutar pessoas que dizem que tem vergonha de ver brasileiro no exterior ou, pior, vergonha de ser brasileiro. Outros têm orgulho de não parecerem fisicamente com brasileiros ou terem um sobrenome que “não é” do Brasil.

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Confesso que esses comentários sempre me incomodaram um pouco, mas só começaram a me incomodar de verdade quando fui morar fora. Por ter escutado esses comentários a vida toda, eu imaginava que nos outros países (principalmente os que consideramos de “primeiro mundo”) era tudo perfeito e sem problemas.

Imaginava que todas as pessoas eram super educadas, não tinha gente passando necessidade, todos tinham acesso à educação, saúde e oportunidades de emprego. Achei que não ia ver problemas típicos de países de “terceiro mundo” como trânsito, desordem, estradas esburacadas, falta de estrutura, metros ou ruas sem acessibilidade, furtos etc.

E aí quando você vai para fora, você percebe que também existem pessoas que te faltam o respeito. Percebe que há preconceito, racismo, machismo e xenofobia. Há falta de empatia. Há gente desonesta, há corrupção. E aí vai passar a perceber que gente sem noção ou ruim existe em qualquer país ou cultura e, por isso, é horrível a mania de associar um hábito à uma nação inteira. Isso, infelizmente, faz parte do ser humano e não de uma nacionalidade específica.

Ao perceber isso, eu pude dar o primeiro passo para abrir os olhos e perceber que o nosso país tem sim muitos problemas e defeitos, mas também tem muitas coisas boas que deveria ser valorizado por nós, brasileiros, assim como valorizamos os outros. Temos essa mania de pensar que a grama do vizinho é sempre mais verde (eu sei… frase clichê, mas muito verdadeira) e acabamos não percebendo e valorizando o que temos de positivo aqui.

Não vou negar que muitas coisas que vi fora do Brasil me faziam pensar “puxa vida que pena que no Brasil não é assim” ou “que ótimo seria se tivesse isso no Brasil”. Mas quando isso acontecia, eu não me revoltava e dizia “que país de merda” como já ouvi por aí… Na verdade, só ficava com mais vontade de mudar pequenas coisas do meu dia a dia para tornar o lugar que eu vivo um pouco melhor ou mais parecido com os lados positivos que vivi lá fora.

Isso não quer dizer que penso que nós brasileiros devemos nos conformar com os problemas do país ou dizer “ah se até na Europa tem isso, então por que o Brasil seria diferente?”, mas sim que deveríamos aprender a valorizá-lo como todas as outras pessoas de outras nacionalidades que conheci até agora valorizam o seu país. Vocês acham que eles valorizam porque eles não sabem os problemas do próprio país? Acha que eles são conformados e são ignorantes? Eu, de verdade, acho que não.

Eu admiro quem teve coragem de se mudar para outro país para começar uma nova vida. Também admiro mais quem foi, viu tudo que tem de bom lá fora – e tudo de ruim também-, mudou a cabeça e optou por voltar e ficar… com a  esperança de tornar nosso país melhor! Nem que seja pouco a pouco, com os pequenos atos. Admiro quem consegue enxergar o lado bom do nosso país, sem fechar os olhos para os defeitos.

Não tem como falar só mal do país e esquecer que é de onde você veio, faz parte de você, faz parte da sua cultura.  Falar mal do nosso país de origem é como falar mal da nossa família, que pode sim ter defeitos, mas continua sendo as nossas raízes. Nós não escolhemos. Sempre estaremos ligados a eles de uma forma ou de outra, independente da nossa vontade.

11127821_10206541989612260_7101021573362735698_nAcredito que seja a mesma coisa com o país onde nascemos. Nós não escolhemos, mas temos que encontrar uma forma de valorizar, amar e, se estamos tão insatisfeitos, deveríamos encontrar uma forma de melhorá-lo. Reclamar, falar mal, propagar discurso de ódio não ajuda o país e muito menos melhora a sua vida.

Ao mudar um pouco essa visão tão pessimista e, às vezes, até odiosa que leio por ai sobre o Brasil, é possível dar espaço para perceber que tem algumas coisas que fazem que você sinta falta e até mesmo queira voltar.

Quando vejo a série “o mundo segundo os brasileiros” vejo pessoas que estão muito satisfeitas em ter mudado de país e nem pensam em voltar. Ótimo! Temos que fazer o que nos faz sentir bem. Assim como vejo outras dizendo que “não existe lugar como o Brasil” ou “saudade do Brasil”.

Me identifico mais com o segundo grupo porque, felizmente, aprendi a amar e sentir orgulho do país, ao invés de odiá-lo por seus defeitos.  Não importa quantas vezes eu saia do país, o Brasil sempre vai ser o meu país do coração que amo, mesmo com todos os problemas. Sei que sempre vou poder voltar e me sentir em casa como em nenhum outro lugar.

Entendo quem foi embora e amou outro país e diz que não volta por nada… Violência, corrupção.. Ok! O que não entendo é quem odeia, desdenha. Não entendo mesmo!


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UPDATE: pessoal, quando atualizamos a versão do site, infelizmente, todos os comentários do facebook sumiram. Esse post gerou uma discussão enorme, então vou colocar um resumo da nossa posição aqui.

Sim, nós moramos no Brasil. Trabalhamos 8 horas por dia, pegamos ônibus e metrô lotado em São Paulo. Já nos formamos e continuamos estudando para tentar ter uma vida melhor. Sabemos das dificuldades do nosso país! Não somos cegas. Mas já moramos em países considerados “primeiro mundo, desenvolvidos” e acreditem: as dificuldades também existem por lá. Em nenhum momento dissemos que o brasileiro não tem que questionar o governo ou lutar por melhorias. Muito pelo contrário! É não só nosso direito, mas também um dever como cidadão. Porém, os que mais reclamam são os que menos fazem. As mudanças acontecem com atitudes diárias. O texto só reflete nossa opinião, baseada em nossas experiências. Não fizemos nenhuma análise profunda sobre o tema. Cada um tem uma visão e pronto. Se você odeia o Brasil, vai ser feliz lá fora, faça esse favor a você mesmo… e aos que ficam. Quem ainda tem esperança, ta ótimo também. Temos que buscar a felicidade onde for. Não existe certo e errado. 🙂

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