Hoje o post é de um convidado.

Êêê, eu vivo falando que o paraíso é brasileiro. Conheci o Bruno através das rede sociais. Li um comentário dele num grupo da vida e sabe quando o santo bate? Trocamos uma ideia e o convidei para relatar sua história aqui no Must Share. O resultado foi esse texto maravilhoso. Aproveitem:


“Então, minha história não tem muito glamour, na verdade minha história é totalmente o oposto disso. Não é sobre um intercâmbio, não é sobre um mochilão na Ásia e muito menos uma volta ao mundo.

Minha história é sobre como eu consegui me encontrar através da conexão com o simples, de encarar meus medos e, acima de tudo, provar que posso fazer o que eu quiser quando eu quiser.

Antes de Jericoacoara

Como várias pessoas que eu conheço, comecei a trabalhar cedo, não tive tempo para pensar, foi tudo meio automático. Com 18 anos entrei na faculdade de Administração; com 18 anos abri minha primeira empresa, uma agência de marketing digital; com 24 anos mudei para São Paulo. Sou de Uberaba, no Triângulo Mineiro. Tive minha agência por 9 anos! E foi neste ponto que começou minha “crise”. Fiz isso por 9 seguidos anos e não me sentia feliz fazendo isso, então o que eu quero fazer? Nunca fiz outra coisa além disso, daí uma pergunta ainda mais complexa: O que eu sei fazer?

Em 2013, vendi minha parte da sociedade e voltei pra minas. Por impulso e por medo, comprei uma franquia na área de estética, fali em 8 meses, perdi tudo que conquistei em 9 anos e adquiri uma dívida ainda maior. “Fracassei” de novo! Vendi o que me restava, ganhei uma passagem e decidi ir embora para Jericoacoara no Ceará (nunca tinha ido pra lá). Um conhecido abriu um hostel por lá e eu estava disposto a ver o que podia dar. Comprei a passagem para o dia 05/08/2014, só de ida. brunolima

Uma semana antes do meu voo, recebi uma proposta para voltar para São Paulo, ganhando uma grana relativamente boa e como eu precisava de grana, aceitei. Fiquei em São Paulo novamente por 11 meses trabalhando como funcionário e todos os dias eu acordava sabendo que não era aquilo que eu queria, que aquilo não fazia sentido pra mim, mas eu precisava.

Ao final do décimo primeiro mês, fui demitido! A melhor coisa que me aconteceu, eu estava livre, havia quitado parte da minha dívida e tinha uma grana guardada. Organizei minhas ideias, me organizei mentalmente e decidi que era a hora de tirar um tempo pra pensar, aquele tempo que não tive aos 18. Novamente comprei uma passagem para Jericoacoara. E a parte mais estranha e mais fantástica disso tudo começou no dia 05/08/2015, quando fui procurar minha passagem no email para fazer o checkin e percebi que eu havia comprado a passagem exatamente para o mesmo dia da passagem do ano anterior e eu nem tinha me ligado disso. Coincidência foda que só me fez pensar: estou fazendo a coisa certa.

Peguei meu voo e desembarquei em Fortaleza 1h da manhã. Eu já havia comprado antecipado minha passagem da Fretcar para o traslado até Jeri.

O caminho até Jeri é fantástico, essa foto abaixo foi a primeira que eu tirei:

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Cheguei em Jericoacoara

A parada da jardineira é na Rua São Francisco, fica muita gente oferecendo hospedagem e passeios, você não precisa fechar nada na hora, tempo é o que você mais terá.

Peguei minhas coisas e fui procurar o Jeri Hostel Arte dos meus amigos Carlos e Bruna. Eu já havia combinado com eles que faria trabalho voluntário em troca de moradia, por um mês. Ou seja, eu trabalhava 4 horas por dia na parte da noite, durante 6 dias na semana e em troca eu tinha acomodação e café da manhã.

Eu fui pra Jeri pensando em ficar um mês mais ou menos e acabei morando por 7 meses. Jeri é linda, uma atmosfera sem igual e uma energia incrível. A vila turística possui apenas 5 ruas, todas de areia, não existe asfalto e isso é lindo. A rua principal é a que concentra a maior parte dos restaurantes e comércios, nas demais ruas ficam pousadas, hotéis e hostels. Todas as ruas levam a praia, tudo é muito perto e de fácil acesso.

O hostel que fiquei é demais, uma galera muito massa, viajantes de todos os lugares do mundo todos os dias, interação e troca de experiências no ponto mais alto. A lição mais importante que tirei desses dias morando no hostel foi: “Você sempre pode aprender algo com alguém, basta estar disposto a ouvir.”

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Quando eu digo que Jeri é incrível, as pessoas duvidam. Além disso tudo, a noite de Jeri é fantástica. Todos os dias é super animado. Cada dia da semana tem uma festa diferente, o forró predomina, mas tem samba, reggae e rock também. Sugiro conhecer o Espaço Serramar, onde acontece o Forró com Samba e o Reggae. Inclusive a banda de Reggae em Jeri é uma coisa fora do normal, uma galera bem massa, a banda chama Cena Roots.

Fora as festas, existem vários bares com música ao vivo, e as famosas barracas de caipirinha na beira do mar, experimente a caipirinha de Cajá com Seriguela da barraca do Leo, próximo a praça.

Eu cheguei a criar um “PubCrawl” pelos bares de Jeri, foi uma experiência muito bacana e que deu super certo.

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Mas e aí?

E aí que Jeri me mostrou como viver de verdade, como aproveitar as coisas simples da vida no maior alto nível de profundidade. De se jogar realmente naquilo que você acredita e esperar sempre o melhor em troca.

Conheci pessoas incríveis que estavam em uma jornada igual a minha, conheci pessoas que estavam apenas viajando, pessoas que estavam tirando férias e pessoas que foram pra passear e acabaram morando, assim como eu. E o mais legal de tudo isso é a diversidade, diversidade de opiniões, de possibilidades, de gostos, de jeitos, de cores, de culturas e idiomas, mas tudo isso se converge no simples, numa relação de troca mútua de respeito e admiração.

Jeri me trouxe de volta pra mim, me mostrou que eu posso fazer o que eu quiser, que eu tenho orgulho e muito dos meus fracassos e se tem um “conselho” pra dar hoje é: cometa erros, fracasse! Só assim você descobrirá sua essência, sua vocação e sua paixão.

Ter medo é normal, ter medo é ótimo, nos mantém alertas, medo demais é covardia, medo de menos é prepotência. Com o medo vem a coragem, use-a! Está insatisfeito com seu emprego? Peça demissão. Não sabe o que fazer? Experimente de tudo! Tem medo de arriscar? Arrisque!

O máximo que vai acontecer vai ser você conhecer uma galera incrível, beber muita caipirinha e pegar uma cor do pecado. Opa, esse fui eu! Escreva você a sua história também. A minha história não é minha viagem pra Jeri, essa é apenas parte da minha jornada, porque a minha história eu ainda estou escrevendo, aos poucos.

Como dizemos em Jeri: Vai dar certo!

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Eu sou o da esquerda, do meu lado a Mônica, a coisa mais linda que eu conheci em Jeri e do lado direito o Chris, nosso voluntário da Alemanha.”

DICAS SOBRE JERICOCOARA 

LocomoçãoAtraçõesMais dicas

Pra chegar até Jeri tem duas formas:

  • Fretcar (ônibus): você pode comprar a passagem online por volta de R$70,00. O ônibus sai do aeroporto, vai até uma cidade que chama Jijoca de Jericoacoara, lá você troca de transporte e embarca numa jardineira 4×4, pois dali em diante é só areia.
  • Transfer 4×4: você pode alugar um transfer 4×4 para te levar até Jeri, o valor fechado é de R$600,00 ou você pode compartilhar com outras pessoas, fica em torno de R$150,00 por pessoa.

Em Jeri tem muita coisa pra fazer e possui 3 passeios principais:

Lagoas

O passeio para as lagoas é aquele onde ficam as famosas redes na água. Este passeio pode ser feito de duas formas:

  • Bugue: você contrata um bugueiro e ele faz todo passeio com você. Normalmente vão até 4 pessoas, se você está sozinho, eles alocam você para ir com outras pessoas. O custo é de R$80 (pode variar de época pra época). O passeio consiste em sair de Jeri, visitar a Pedra Furada, Árvore da Preguiça, Lagoa Azul e por fim Lagoa do Paraíso.
  • D20: você pode optar pelo passeio mais simples. Na Rua São Francisco tem carros (D20) que saem a todo minuto para a Lagoa do Paraíso. Valor de ida R$15, eles te deixam onde você quiser. Eu sugiro muito o restaurante Nova Esperança, um lugar super lindo da lagoa com um preço super justo. Dica importante: voltar antes das 16h, pois após não têm mais transporte.

Tatajuba

Este passeio é para o lado contrário das lagoas, é um passeio muito legal com uma lado mais histórico. Não é possível fazer sozinho, é necessário a contratação de um bugueiro. O custo é de R$80 (pode variar de época pra época). Este passeio vai mostrar o cavalo marinho, travessia do guriú de balça, mangue seco, uma duna gigante pra fazer SandBoard (surf na areia), velha Tatajuba (pois a vila foi engolida pela areia), nova Tatajuba e por fim a Lagia Grande que é bem bonita também.

Pedra furada

O cartão postal de Jeri! Não é preciso guia ou bugue para chegar até lá. O trajeto até lá é uma caminhada de aproximadamente 30 à 40 minutos. A vista é linda! Todos os dias por volta das 16h em frente ao Restaurante e Forró Dona Amélia, sai um grupo andando até lá.

Eu preferia ir sozinho ou com alguns amigos apenas. Uma dica bem legal, veja o pôr do sol do Farol, é incrível. Outra dica é tentar fazer o trajeto até a Pedra furada pela praia, quando a maré está baixo, várias lagoas se formam entre as pedras.

Além dos passeio, Jeri tem 2 praias, a principal e da Malhada. A principal é propícia para banho e onde ficam os restaurantes, barracas e a maior parte dos turistas, a praia da Malhada é mais para surfistas, pois ela possui muitas pedras, precisa ter cuidado para tomar banho lá. Ahh Jeri é um paraíso para os esportes aquático com KiteSurf e WindSurf, Jeri já foi considerada o melhor pico do mundo para estes esportes.

A famosa Duna do Pôr do Sol onde a vila toda vai para ver o pôr do sol no final da tarde, fica lotada. Pra ser bem sincero, eu vi uma vez o pôr do sol lá, todas as demais vezes eu ia pro serrote, uma pequena montanha atrás de Jeri que dava vista pras duas praias e por cima da vila.

Jeri não é perigosa, mas como qualquer lugar em nosso querido país, é sempre bom ter atenção. As ruas da vila não possuem energia, somente luz dos comércios e casas. Eu costumava andar no meio da noite sem nenhum problema pelas ruas, inclusive uma dica incrível é ir pro serrote a noite ver a lua e as estrelas, é muito lindo. (mas não faça sozinho, ok? rsrs).

Algumas dicas práticas:

  • Leve dinheiro, Jeri não tem banco. Tem apenas uma agência dos correios e um caixa do Banco do Brasil
  • Mala de rodinha não anda em Jeri, você vai precisar carregar nas costas
  • Pouca roupa: Jeri tem um clima ótimo, muito vento e muito sol, roupas leves é o ideal
  • Restaurantes: a maioria aceita cartão, você encontra restaurantes de R$10 à R$90 um almoço ou jantar.
  • Festas: entrada R$15 reais, apenas dinheiro
  • Sugiro 5 dias em Jeri, é um tempo legal pra absorver a energia do lugar e conhecer cada pedacinho
  • Se você prefere uma época mais tranquila, não vá no final do ano ou feriados.

Texto por Bruno Lima


E ai galera, não deu vontade de apenas arrumar as malas e partir? Eu li a história do Bruno e só consegui confirmar algumas ideias que acredito e que vivo repetindo aqui no site:

  1. A vida é feita de fases.
  2. As coisas acontecem quando tem que ser, a gente tem que ter paciência e viver cada fase intensamente, até porque elas não voltam.
  3. Nada acontece por acaso. Momentos que passamos, pessoas em nossas vidas… tem um motivo pra estar lá.
  4. Tudo é aprendizado: experiências boas e ruins.
  5. Menos é mais e a felicidade é algo muito relativo.

Só clichê, pode ser, mas que quando colocados em prática, têm um impacto gigantesco em nossas vidas.

Espero que tenham gostado do post. Obrigada Bruno, nós amamos. 🙂


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