A vida não está fácil para ‘os melhores funcionários‘. Depois de formada, eu tinha certeza que estava preparada para o mercado, mas o que senti foi um certo julgamento durante entrevistas de emprego quando perguntavam sobre “coisas relevantes” que já fiz na vida. Um intercâmbio é bom, dois ‘é legal’, três pareceu demais:

“Ai, mas você só viaja?”

Não foi um caso isolado, pelo contrário… umas 3 recrutadoras me deram aquela secada do mal, como se isso fosse algo negativo. Como se quem viaja fosse vagabundo, não quer saber de trabalhar. E as experiências? E o aprendizado? Conheço mochileiros que não conseguem viver dentro de um escritório, mas se esse fosse meu caso, eu não estaria na entrevista de emprego, concorda?

Entenda porque mochileiros serão seus melhores funcionários

Coloquei mochileiros no título, porque quando falamos sobre “uma pessoa que viaja” fica muito abrangente. Tem gente que ama o “turismo”, aquele tipo de viagem com hotel 4 ou 5 estrelas, roteiros regrados, agência contratada, nadando com golfinhos, comendo bem. Eu não julgo esse tipo de viagem (tirando a parte dos golfinhos, se alguém quiser me convidar, tô mais que dentro), acho legal fazer com a família e tal, mas não é o caso do post.

Isso porque, nesse tipo de viagem, a pessoa sai da zona de conforto de casa e vai para uma zona de conforto até melhor. Num intercâmbio, mochilão ou quando pessoas começam a vida ‘do zero’ em outro país, é você no mundão e seja o que Deus quiser. Definido esse perfil, temos as razões:

1) Viajantes estão dispostos a aprender; eles amam

Depois de um tempo viajando, as pessoas percebem que tudo na vida é uma lição. Cada palavra trocada com uma nova pessoa, cada erro cometido, cada conselho ou feedback, cada desafio aceito. Esse poderia ser um item na lista, mas está totalmente ligado ao aprendizado: dificilmente você verá um viajante acomodado. A necessidade de sair pelo mundo afora em busca do desconhecido é uma característica típica de quem ama viajar. Para uma empresa que procura um funcionário disposto a absorver todo e qualquer aprendizado e que corra atrás disso, o viajante será a escolha perfeita.

2) Viajantes sabem lidar com todos os tipos de pessoa

Na estrada a gente conhece diversas pessoas de diferentes países, culturas, crenças, religiões, etc. Já morei com americanos, belgas, franceses, italianos; convivi com muuuuitas nacionalidades. É tanta gente para lidar que você apenas aprende a lidar com todo mundo. Isso também é ótimo para criar empatia com as pessoas. Hoje em dia, é muito claro para mim que cada um vem de um lugar, com uma bagagem e uma história e que temos que respeitar as atitudes e opiniões do próximo, por mais que não sejam como as nossas, pois somos todos diferentes e o que é certo e errado é algo muito relativo.

Parece óbvio, mas no dia-a-dia não é. Se em uma empresa, todas as pessoas conseguissem se colocar no lugar do colega de trabalho tanto para oferecer ajuda quanto ser ajudado, o ambiente profissional seria muito mais agradável.

3) Viajantes se automotivam

Você deve conhecer aquele profissional que só consegue evoluir se recebe um incentivo externo. Eu fiz Administração e acredito muito que as empresas devem sim criar ambientes que motivam o funcionário, mas sempre tem aquele perfil que se abala com qualquer coisinha fora do planejado e o processo para motivação é longo.

Automotivação é uma virtude. Quem viaja sabe: perrengue faz parte e não dá tempo de ficar choramingando. Quem pode cuidar desse problema? Só você, então é melhor resolver logo e bola pra frente. Para quem viaja sozinho então… ah, esse fez curso superior na vida de como se motivar diante de qualquer circunstância. Tenha uma pessoa dessas em sua equipe e veja tudo fluir.

4) Viajantes são zero resistentes à mudança

Também muito ligado à automotivação, mudanças não são um problema. Bate aquele receio natural, mas quem viaja está mais do que acostumado com as mudanças.

Durante o ano que fiquei na Europa, eu virei total desapegada de coisas, lugares e pessoas. No começo, cada despedida era um choro como se o mundo fosse acabar: “ai miga, nunca mais vou te ver na vida, vai me visitar“. Depois de mil despedidas (porque eu mudava de país), eu entendi que isso é viver. Simples assim: nada é permanente e as coisas vão embora mais cedo ou mais tarde. Uma das maiores certezas que a gente pode ter é que não temos garantia de nada. Assusta né? Eu acho maravilhoso.

“As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem”.

5) Viajantes se adaptam

Sabendo lidar com todo tipo de pessoa e abraçando qualquer mudança… eu não preciso escrever muito sobre esse item né? Um verdadeiro camaleão na vida e com toda certeza no ambiente de trabalho.

Vamos lembrar daqueles que viajam com orçamento baixo / dinheiro contado e mesmo assim se desdobram e conhecem vários países. Imagina que beleza fazer um planejamento estratégico contando com a flexibilidade e criatividade desse cara? 🙂

6) Viajantes são independentes

Não tem frescura, não tem cerimônia. Não precisa ficar repassando as instruções. Passa o que precisa ser feito e feito estará. Se não está dentro do seu escopo de tarefas diário, sem dramas. Se não sabe, pesquisa. A ideia é sempre essa: ninguém fez as malas para conhecer o mundo procurando mais problemas, a gente gosta é de solução.


Resumindo, pessoas viciadas em sair da zona de conforto  são donas de uma mente totalmente diferente do padrão e o novo é sempre bem vindo numa empresa que valoriza novas ideias, visões e opiniões que agregam.

É claro, não podemos generalizar já que pessoas possuem outras características distintas, mas esse processo de transformação durante viagens é inevitável.

Talvez recrutadores fiquem com o pé atrás ao contratar alguém “instável que pode ir embora a qualquer momento”.  Maior rótulo errado! Viagem não é o contrário de trabalho e muito menos sinônimo de falta de comprometimento. Criando um ambiente desafiador que proporcione aprendizado, esse profissional pode ir longe. Não deixe ele escapar!!!

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