Não ter rumo? Crises? Imagina…

Eu acredito muito em fases, naquilo que é passageiro, e assim divido os momentos da minha vida: terminei o colégio com muita pressa, eu mal podia esperar pela próxima fase. Entrei na faculdade, procurei estágios, fui morar sozinha… fiz um intercâmbio, entreguei meu tcc, me formei na faculdade. Hora de arrumar um bom emprego, até entrei na pós graduação e…

E agora?

Não sei a hora em que tudo começou a desandar. Não tem a ver com ser mal agradecida, pelo contrário, sou muito grata por tudo que tenho hoje. Só não consigo lembrar do exato momento em que esse “hoje” já não me satisfazia mais, ou melhor, não fazia mais sentido.

Acho que começa com aquela ansiedade ao perceber que, depois dos 20 e poucos, os anos passam e passam bem rápido. Os últimos 4 anos voaram, quando eu vi, tava lá com 25. Deve ter sido perto da época do meu aniversário que a reflexão bateu e eu me perguntei “O que eu to fazendo da vida? O que eu to construindo? Esse é o caminho que eu quero seguir e a pessoa que eu quero ser?

A gente começa a planejar tudo muito cedo. Quando tinha 17, me falaram que eu tinha que escolher uma carreira para o resto da vida. Nessa época, eu jurava que estaria encaminhada para casar aos 26, teria filhos com 28 e aí sei lá… pararia de loucuragem, de ir para as baladas porque já “não teria mais idade”. To aqui agora, bem longe de concretizar esses pensamentos, ainda na locuragem, sem nem ter certeza de que o que eu faço é o que eu deveria ou queria estar fazendo. O sentimento que eu tenho é de que ta faltando algo.

Parece que até a faculdade tudo que eu vivia era teoria…

…e que depois, a vida virou a prática. A gente sabe bem que na prática as coisas não acontecem como deveriam e mesmo que você saiba o certo na teoria, não é bem assim que funciona:

Talvez você tenha percebido que o curso que escolheu “para o resto da vida” não tem muito a ver com você. Muito provavelmente aprendeu também que diploma não é garantia de um bom emprego e que sua função e seu salário estão longe do que você acha que “merece” (aquele salário que não dura né, até porque cê ainda ta aprendendo a se organizar financeiramente). De fato, uma coisa que temos que aceitar é que esse meio profissional pode ser bem injusto. De diferentes formas e intensidades para cada pessoa, mas é injusto para mim, para você, para seus conhecidos e para todos. Algumas pessoas são boas no que fazem, outras tem contatos. Nem todos são bem intencionados, alguns vieram para atrapalhar e não para ajudar, e existem aqueles que vão nos colocar para baixo a troco de nada.

São Paulo era definitivamente mais divertida quando eu estava na faculdade. Eu bem sei que o meu sonho era sair do interior e viver esse mundão. Balada toda terça, quarta, quinta, sexta, sabádo… eu nem sei como aguentava ir para a aula no dia seguinte. Hoje, eu conto os dias pro final de semana chegar logo para eu voltar para a casa dos meus pais porque eu sinto que lá é meu lar. Além disso, eu, meu corpo e minha conta bancária só podemos agradecer a quem inventou o Netflix pelas sextas feiras econômicas, entretidas e bem dormidas que eu jamais vivi quando era mais nova.

A gente vai mudando e é nítido. Até o círculo de amizades muda e eu acho que isso é bem normal, já que inevitavelmente cada um segue o próprio caminho.

Os mais velhos falam que nossa geração é acelerada e é mesmo. Com internet, quantidade de informações, globalização, tudo é instantâneo! A gente fica muito aberto a tudo que o mundo oferece, sabe das possibilidades; e aaah… as possibilidades. Acho que as possibilidades nos sufocam mais do que tudo nessa crise. Eu tenho esse sentimento diário de que eu poderia fazer muito mais do que eu faço, poderia chegar muito mais longe; que o tempo está passando e a diferença entre a expectativa e a realidade está pesando cada dia mais. E tudo isso porque eu sei das possibilidades.

Para mim, idade é só um número e mesmo a sociedade julgando os que o fazem, sempre podemos nos reinventar, independente da fase da vida. Não gostou da faculdade que cursou durante 4 anos? Segue para a próxima. Não ta feliz no emprego estável com bom salário? Tente o emprego improvável com salário suficiente. Não sente mais o mesmo por aquela pessoa que namorou durante os últimos 5 ou 6 anos? Não foi tempo perdido, só será se você insistir no que não te agrega mais.

Disso tudo eu sei e compactuo. Só que eu to nessa de “como eu vou me reinventar sendo que eu nem me encontrei?” Não encontrei a profissão dos sonhos, tenho mil projetos, mas nenhum que pague contas de imediato. Eu até gostaria de estar num relacionamento, mas nem passa pela minha cabeça casar e ter filhos, ou seja, cadê o sentido em tentar construir algo com alguém, sendo que eu não construí comigo mesma ou para mim?

Lembra da minha pergunta lá em cima? E agora? Da próxima fase, eu não sei, mas uma coisa é certa e espero que te deixe em paz, assim como eu estou, mesmo com tanta indecisão. O seu ‘agora’ não depende da opinião dos outros, do que esperam de você, do que acreditam que você deveria fazer. Só cabe a nós decidir o que vai nos fazer felizes. Ter pressa também não ajuda. A gente vive planejando o futuro, esperando por dias melhores e acaba esquecendo de aproveitar o presente. Podemos sempre aprender algo em qualquer situação, com qualquer pessoa, mas temos que nos abrir para isso e começar a prestar atenção nos detalhes, porque, às vezes, a resposta para nossas perguntas está bem na nossa cara.

Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás…

Trem bala – Ana Vilela

Eu ainda to procurando essa resposta…

O negócio não é ficar calmo e esperar cair do céu. Se quer mudança, tem que ser mexer. O que a gente não pode é deixar de fazer coisas por medo; a zona de conforto é um lugar parado. E é bom lembrar: nem sempre você vai encontrar apoio, sabe? Talvez nem sua família te apoie. Mil pessoas vão te falar que suas ideias são loucas, mas a cada dia eu percebo que os “loucos” são os que chegam mais longe.

Se sua crise é essa, tá tranquilo, essa é minha crise, de vários amigos meus e quando a gente se “encontrar” e amadurecer mais, uma nova crise vai surgir. É isso galera, ta decretado que ta permitido não ter um rumo aos 25 anos e ninguém tem que te encher o saco por isso. E o maior conforto? Você não está sozinho. Tamo tudo na pior, mas juntos! Para desabafos e conselhos, temos aí os comentários.  🙂


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