Como fazer faculdade na Argentina: relato de um estudante de medicina

No último post, escrevi sobre os dias que passei em Rosario, durante meu mochilão de 2 meses pela América do Sul. Como contei, lá no hostel eu conheci um brasileiro que está em Rosario estudando medicina. Muita gente tem dúvida de como fazer faculdade na Argentina, então pedi para ele contar um pouco da sua história para compartilhar com vocês.

Esse é mais um post de convidado: palavras do Tales Maciel.

Como fazer faculdade na Argentina?

“A primeira vez que a Argentina extinguiu o vestibular foi há exatos 100 anos, em 1918. Na cidade de Cordoba, ocorreu um movimento de estudantes que acreditavam que não se poderia “garantir o direito que TODOS tem à educação” se existisse uma prova que elimina e seleciona quem pode ou não estudar determinadas carreiras universitárias.

No Brasil, me formei em Antropologia e não tinha idéia que isso tinha acontecido há tanto tempo. E mais: eu achava que todos esses programas (cotas, ENEM, etc.) eram super avançados, no sentido de tornar o ensino superior mais acessível em nosso país. Inclusive, uma das grandes cabeças por detrás das cotas no Brasil foi uma argentina que vivia em Brasília chamada Rita Segato, professora de Antropologia. Ela achava um absurdo o sistema de seleção para o ensino superior. Depois de morar 3 anos na Argetina, eu entendo as razões para considerar o vestibular um absurdo.

Esse acesso livre ao ensino superior na Argentina teve altos e baixos, de acordo com a história do país. Diferentes presidentes e ditaduras moldaram como era o acesso ao ensino superior por aqui. No caso de Rosário, eles acabaram com qualquer prova eliminatória para poder ingressar nas carreiras da universidades (sim, todas as carreiras) há aproximadamente dez anos.

Sobre fazer faculdade de medicina na Argentina

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MIU (Método de Integração Universitária)

Como eu entrei no curso de medicina em Rosario? Fiz uma inscrição online e tive que participar de um curso básico chamado MIU (Método de Integração Universitária). É basicamente uma série de aulas focadas em debates sobre o sistema de saúde argentino, saúde na América Latina e debates com temas como “a saúde é um direito ou uma mercadoria?”.

Nessas aulas – que duram aproximadamente 3 meses, com 2 encontros semanais – ninguém é reprovado. Porém é muito valorizada a sua participação em sala. São recomendados documentários e textos como o documentario Sicko, do Michal Moore, que compara sistemas de saude públicos e privados em vários países, por exemplo.

Enquanto estamos tendo essas aulas, também precisamos acompanhar durante 16h um médico e escrever um relatório de poucas páginas, contando a como foi a experiência acompanhando esse médico, como eram as estruturas do hospital, relação médico-paciente e uma análise do próprio oficio da medicina.

Seminários e Tutorias

Depois de assistir as aulas, acompanhar o médico e terminar o relatório, pronto! Já pode começar a carreira de Medicina. Pouco tempo após o MIU, os alunos vão aos seminários, aulas expositivas e são divididos em tutorias.

Tutorias são turmas reduzidas que tem encontros semanais e debates sobre casos clínicos. São sempre mesmos alunos e um professor durante 1 ano. A cada ano, vão mudando as tutorias pelas quais o aluno passa. No total, são 2 anos de estudos em laboratório e aulas, mais 3 anos de aulas na faculdade e contato com hospitais, e mais um último ano de prática hospitalar intensiva.

Pra quem se forma na Argentina e quer voltar pro Brasil, existe a opção de participar do programa Mais Médicos ou realizar a prova do revalidação (isso já é todo um tema a parte hehe).

Quanto custa a faculdade de Medicina na Argentina?

A universidade que estudo na Argentina é publica e gratuita. O método de ensino utilizado chama-se PBL (Problem Based Learning) que foi desenvolvido no Canadá e adaptado pra cá. É um método que demanda mais autonomia do aluno e que prioriza mais a particiação dele do que aulas somente expositivas.

O brasileiro pode vir e fazer seu DNI (rg argentino) e tem residência por 15 anos, sendo que depois é possível renovar essa residência por mais tempo ou fazer diretamente a cidadania argentina. Isso pode ser feito em todos os países do Mercosul.”

Esse foi o relato do Tales. Espero que a experiência dele dê uma luz para quem planeja começar uma faculdade na Argentina.

Pedi para ele contar um pouco sobre ele. Sobre as decisões da vida, prós e contras de fazer faculdade na Argentina, etc.  Assim que ele me enviar, atualizo aqui para vocês.

Vai viajar pela América do Sul? Leia também:

Saindo de Rosario, segui para Mendoza, Cordoba, Salta e Jujuy. Estou fazendo os posts diariamente, então acompanha aí se estiver planejando uma viagem para a Argentina.


Espero que o post ajude e aguardem os próximos. TEM MUITA DICA PARA VOCÊS! Vale lembrar: informação útil é informação compartilhada. Compartilhe com seus amigos.

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By |2018-01-31T18:12:44+00:0031 janeiro, 2018|Tags: |

About the Author:

Camila Faria, 26, mackenzista formada em Administração de Empresas com pós graduação em Controladoria de Empresas pela FIA. Fez o primeiro intercâmbio aos 17 anos e criou o site em 2013, durante o ano em que fez faculdade na Europa. Para se dedicar ao Must Share Br, saiu do trabalho na área de finanças em São Paulo e hoje mora nos Estados Unidos. Acompanhem pelo instagram: @milafaria

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