Vítimas da United Airlines: o médico, o coelho, o filhote… nós?

Esse texto não é apenas sobre as vítimas da United Airlines. É sobre todas as companhias aéreas.

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Fatos

A polêmica mais recente envolvendo a United e a morte de outro animal de estimação

Nessa segunda-feira (12/03), em um voo entre Houston e Nova York, uma comissária de bordo orientou que uma passageira colocasse sua “bagagem” no compartimento superior para malas de mão.

A passageira que estava com seus filhos pequenas se recusou. Ela já havia pagado uma taxa extra de cabine no valor de US$200 para poder embarcar com seu bulldog francês de 10 meses. Mesmo sabendo que se tratava de um filhote, a funcionária da United Airlines insistiu que ele fosse colocado no compartimento superior e garantiu que ele ficaria bem. Outros passageiros disseram que ela ainda ameaçou retirar a família do avião caso o pedido não fosse respeitado.

As pessoas ao redor chegaram a reclamar sobre a atitude, porém quem vai discutir com uma comissária de bordo que “deve saber o que está fazendo”, afinal faz parte do seu trabalho garantir a segurança de todos no voo, certo?

O trajeto dura mais ou menos 4 horas. Ao chegar no destino, a dona abriu o compartimento e viu que seu cão não se movia. O filhote já estava sem vida.

A mãe tentou ressuscitar o cachorro, enquanto outros passageiros tentavam sair do avião. Algumas pessoas ficaram para ajudar a segurar o bebê e consolar a mulher. “Ele era parte da família”, dizia no chão no avião. 🙁

A United Airlines considerou o incidente “trágico e que nunca deveria ter acontecido, uma vez que os animais de estimação nunca deveriam ser colocados nos compartimentos superiores”. A empresa vai investigar o caso.

Em Abril de 2017, o médico David Dao foi arrastado para fora de um voo da United Airlines.

Ao anunciar no balcão de embarque que o voo que saía de Chicago com destino a Louisville estava lotado, a United Airlines buscou por voluntários que estivessem dispostos a desistir do voo em troca de reembolso. Quando ninguém se manifestou, a equipe da United Airlines escolheu, através do computador, 4 passageiros que deveriam se retirar.

Um deles se recusou a sair. David Dao, 69 anos, afirmou que era médico e tinha compromissos com pacientes que não poderia remarcar. Três seguranças retiraram o homem de seu assento. Ele teve seu nariz quebrado e perdeu os dentes da frente ao ser arrancado a força do avião.

Imagens do celular de outro passageiro

Sobre esse episódio, a United Airlines afirmou que não pede aos seguranças que retirem passageiros de seus voos, a menos que seja uma questão de segurança.

Ainda em 2017, outra polêmica. O coelho gigante Simon, morreu durante um voo entre Londres e Chicago.

Simon tinha apenas 10 meses e era filho de Darius, dono do recorde de “maior coelho do mundo”. Annette Edwards criou os coelhos e disse que antes do voo, Simon tinha feito vários exames médicos e tudo estava bem.

Afirmou também que era a primeira vez que “algo do tipo” acontecia, mesmo já tendo enviado seus coelhos para vários lugares no mundo.

O maior coelho do mundo

Kevin Johnston, porta-voz da companhia aérea, disse na época que “A segurança e o bem-estar dos animais que viajam em nossas linhas são uma questão de extrema importância para a United Airlines e a equipe responsável pelos animais domésticos”.

Vítimas da United Airlines

Fiz esse post porque esses casos preocupam. Não é apenas sobre a United Airlines, mas também a maioria das companhias aéreas. Quem pega muitos voos sabe que o descaso e falta de respeito de funcionários de empresas aéreas com seus passageiros não é algo isolado. Acontece e acontece muito.

Passagens aéreas não são baratas e todo o processo de embarque é burocrático e cansativo tanto para a empresa quanto para o cliente. Esses motivos deveriam bastar para que as empresas aéreas percebessem a extrema importância de funcionários bem treinados em qualquer situação. Vendo esses acontecimentos é nítido que existe uma falha grande.

Quem nunca foi destratado? Teve uma bagagem danificada? E quando foi reclamar recebeu indiferença dos funcionários e as opções: algumas milhas para “cobrir” o prejuízo ou prazo indeterminado para resolver o problema. Quem nunca mesmo?

Chega a ser frustrante como somos reféns desse mercado!

Sobre o caso do médico

Especialistas disseram que no caso da United que aconteceu nos Estados Unidos, a empresa tinha o direito de retirar o passageiro, uma vez que a ordem foi dada pelo comandante. Porém, a maneira como tudo aconteceu foi o grande erro.

De acordo com o artigo 168 do Código, o comandante é a autoridade máxima dentro do avião e pode desembarcar qualquer pessoa “desde que comprometa a boa ordem, a disciplina, ponha em risco a segurança da aeronave ou das pessoas e bens a bordo”. O comandante não pode atuar como um policial, porém pode optar por não decolar ou pousar o avião, e chamar as autoridades para retirar determinado passageiro.

E os nossos direitos? A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que a legislação brasileira autoriza que em casos de overbooking, por exemplo, passageiros sejam barrados mediante compensações negociadas entre empresa e passageiro, mas explica que a busca por voluntários que aceitem trocar de voo precisa ocorrer antes do momento do embarque.

Segundo a Anac, o passageiro não pode ser retirado de dentro do avião por falta de assentos disponíveis. Pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, o pedido de auxílio da força policial para retirada de um passageiro só é prevista em casos de indisciplina ou tumultos que comprometam a ordem ou segurança da aeronave ou das pessoas.

Fonte: G1

Sobre o caso dos animais

As regras da United para levar animais a bordo são:

  • A United Airlines permite que os gatos domesticados, cachorros, coelhos e aves com idade igual ou superior a 8 semanas, viajem acompanhados na cabine da aeronave na maioria dos vôos domésticos.
  • Um animal de estimação na cabine pode ser transportado além de uma bolsa de transporte e está sujeito a uma carga de serviço de US$200 por cada trajeto.
  • Os equipamentos que transportam os animais devem seguir as regras específicas, caber completamente sob o assento na frente do cliente e permanecer lá em todos os momentos.

Colocar o filhote na cabine superior com as malas de mão não é uma prática da empresa. Não se sabe os motivos que levaram a comissária de bordo a tomar essa decisão e como outra pessoa da tripulação não a impediu. A United assumiu toda e qualquer responsabilidade, devolveu a taxa extra referente ao transporte do filhote, mas a família deixou claro que isso não é o suficiente.

Esses não são os primeiros problemas que a United teve com o serviço de transporte de animais de estimação. A companhia aérea disse que transportou 138.178 animais em 2017, mais do que qualquer outra companhia aérea e também informou ao Departamento de Transportes americano o maior número de mortes de animais.

O que fica claro é que…

já passou da hora das empresas aéreas darem a devida atenção a esses casos e buscarem uma solução. Essas histórias são inacreditáveis e inaceitáveis. Por que essas empresas continuam oferecendo serviços nessas condições? 

Vai além do desrespeito com o consumidor. A indignação dos clientes, reclamações, processos e indenizações não foram suficientes. O que eles estão esperando acontecer para tomar providências? 

Dá até medo de refletir.


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By |2018-03-14T20:47:25+00:0014 março, 2018|Tags: , |

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Camila Faria, 26, mackenzista formada em Administração de Empresas com pós graduação em Controladoria de Empresas pela FIA. Fez o primeiro intercâmbio aos 17 anos e criou o site em 2013, durante o ano em que fez faculdade na Europa. Para se dedicar ao Must Share Br, saiu do trabalho na área de finanças em São Paulo e hoje mora nos Estados Unidos. Acompanhem pelo instagram: @milafaria

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